“Façamos nós com nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito”
A Internacional

A ponte da aliança operário e camponesa foi construída pelas mãos calejadas de operários do sindicato da construção civil – Marreta de Belo Horizonte (MG) em aliança com camponeses das regiões de Varzelândia e São João da Ponte (Norte de Minas Gerais), por onde passa o Ribeirão Arapuim, sobre o qual foi erguida a ponte. Sua construção representa muito mais do que a edificação de uma ponte de concreto, simboliza a edificação de um mundo novo, governado pelos operários em aliança com os camponeses, um mundo sem exploração e opressão! E por quê? Porque é a demonstração de que as massas, organizadas sob uma direção justa e correta, podem tudo, são elas as fazedoras da história. Antes da construção da ponte, as pessoas passavam por lá por uma pinguela. Perene na seca, os animais passavam no leito do ribeirão. No período das chuvas, quando a correnteza era forte, muitos foram arrastados. Os pais sofriam, as crianças corriam perigo. Contornar para passar, dependendo das condições, chegava a aumentar o percurso em mais de duas horas.
Cansadas de esperar as promessas dos políticos eleitoreiros nunca cumpridas, as massas se organizaram e tomaram seu destino em suas mãos, num feito que tem um significado histórico. A ponte foi edificada nas terras onde viviam dezenas de famílias que participaram na resistência contra o Massacre de Cachoeirinha em 1967, perpetrado pelo sicário coronel Georgino sob os auspícios do latifúndio e do regime militar fascista. Foi também naquela região que viveu e resistiu às injustiças e à opressão contra pretos e pobres o homem que se tornou lenda, Saluzinho da Grota. Foi também ali que por séculos resistiram os pretos contra a escravidão, e tiveram em determinados períodos o apoio do combativo padre Gangana e do herói do povo Antônio Dó. Portanto, foi numa região de muita luta e resistência do povo preto, camponeses e quilombolas, que se realizou sua edificação.
Para os operários, mobilizados pelo Marreta, foi uma excelente oportunidade de compreender mais a fundo a questão agrária e camponesa no Brasil, a aliança operário e camponesa na prática. Para a revolução agrária, mais uma mostra do papel histórico da classe operária como direção de nosso bravo campesinato na luta pela revolução agrária, como parte da revolução de nova democracia, ininterrupta ao socialismo.
E aqui queremos destacar o papel das mulheres nesse feito histórico. Desde o começo participando principalmente da logística das refeições e abastecimento de todos que participaram da construção, durante uma semana foram as companheiras que fizeram absolutamente tudo, foram pedreiras, serventes, carpinteiras! E tudo feito de maneira coletiva e com a moral ao topo! As mulheres do povo, uma vez mais, deram grande demonstração de disposição para o trabalho, de luta e de persistência e decisão!
Saudamos efusivamente a Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia, o Sindicato Marreta, e nos somamos às comemorações.
Viva os 20 anos da construção da ponte da Aliança Operário e Camponesa!
Viva a Liga dos Camponeses Pobres!
Viva a Revolução Agrária! Morte ao latifúndio!
Viva a Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo, no rumo do luminoso comunismo, nossa meta final!
Em breve divulgaremos no site fotos das celebrações realizadas.





