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Professora é assassinada dentro de sala de aula! BASTA JÁ DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!

No dia 06 de fevereiro, mais um caso de feminicídio ocorreu em Porto Velho/RO: a professora de Direito Penal da faculdade particular FIMCA (Faculdades Integradas Aparício Carvalho) Juliana Mattos de Lima Santiago, de 41 anos, foi assassinada a facadas dentro da sala de aula. O crime foi cometido por seu aluno João Cândido, de 24 anos. O caso ganhou grande repercussão e comoção tanto na capital quanto nacionalmente pela brutalidade como o aluno agiu. O fato de Juliana estar em seu ambiente de trabalho não impediu com que mais um caso de feminicídio ocorresse.

Absurdamente, a versão inicial do crime que circulou pelos monopólios de imprensa da cidade partiu do relato de João, no qual afirmou que Juliana teria tido um caso com ele e que ela estaria o rejeitando, como se isso justificasse tal ato. A tese de que havia um relacionamento entre os dois teve que ser desmentida posteriormente pela própria polícia civil que verificou no celular de ambos o assédio cometido por parte do aluno, que tinha obsessão pela professora e não era correspondido. Juliana tinha um relacionamento com outra pessoa, e a versão de João foi divulgada mesmo não sendo confirmada pela família e amigos, no afã de desmoralizá-la moralmente. O cenário de praxe é esse: tentam desqualificar as vítimas de feminicídio, com sensacionalismo, e buscam uma explicação no aumento dessa violência contra a mulher em fatos circunstanciais, e não como parte da cultura misógina de nossa sociedade, assim como afirma o manifesto do MFP de dezembro de 2025:

“Quando fatos e dados chocantes vem à tona e tornam-se debate na opinião pública são explorados exaustivamente pelos monopólios de comunicação (os grandes grupos de cadeias noticiosas), porém, estes os condenam como se fossem um desvio de conduta individual, e não como parte da ética e moral hipócrita das classes dominantes, que justificam a opressão da mulher na maioria do conteúdo do seu marco legal, a Constituição, como se fora esta a vontade do povo.”

Rondônia é um dos estados mais letais para as mulheres dentro do cenário nacional, no qual, só a capital Porto Velho registrou 17 casos de feminicídio entre janeiro e julho de 2025. Além disso, os dados gerais sobre a violência contra o povo, no campo e nas periferias das cidades, com altos índices de letalidade policial revelam uma verdadeira guerra no estado contra o povo pobre e preto. Uma situação gravíssima, amplamente denunciada por movimentos populares e democratas. Neste cenário, de falência completa de uma política de reforma agrária e ao mesmo tempo, de apaziguamento com os crimes do latifúndio, ocorre a ofensiva da extrema direita com agravamento da legislação cada vez mais reacionária, para criminalizar a luta pela terra e tentar justificar as perseguições, prisões e assassinatos de camponeses, quilombolas, e indígenas em luta pela terra e territórios, como a operação GODOS. Recentemente, o caso brutal da execução pela polícia do dirigente da Liga dos Camponeses Pobres, Adeildo Gonçalves, chamou a atenção, onde o BOPE de Rondônia, numa verdadeira caçada humana realizou operação no Mato Grosso. É um exemplo da gravidade dessa situação. Na base dessa violência está o crescimento da grilagem de terras da União e do Estado por grandes latifundiários e a atuação, à luz do dia, de bandos armados (conhecidos como guaxebas), muitos formados por ex-policiais e mesmo agentes da ativa, que são acobertados pelas forças repressivas, atuando inclusive junto em operações policiais para realização de despejos de acampamentos e comunidades.

“Uma sociedade dum País de bases arcaicas, semifeudal, de um capitalismo burocrático atrasado e em decomposição, subjugado à condição semicolonial pela dominação imperialista, principalmente pelo imperialismo ianque (Estados Unidos). Sociedade brasileira esta, na qual prevalece e se reproduz uma cultura apodrecida feita de preconceitos medonhos, do repulsivo racismo contra o povo preto e indígenas, da odiosa misoginia, do machismo mais tacanho e da permissividade covarde da violência sobre as mulheres e todo tipo de julgamentos discriminatórios contra os pobres.”

O covarde assassinato da professora Juliana Mattos e tantos outros casos gritantes no Estado de Rondônia, nos leva a concluir que não são fenômenos isolados, tampouco uma deformação no caráter dos homens, como feminismo pequeno burguês tenta nos convencer. A violência contra a mulher no Brasil se explica pelo próprio caráter e natureza de classes da sociedade brasileira, e sua caracterização, como tão bem qualificou o manifesto.

“Os homens e as mulheres são expressão de seu tempo, seu pensamento e conduta expressam a base material e econômica da sociedade, e na sociedade de exploração da humanidade pela humanidade, expressam necessariamente a luta de classes. Todos os preconceitos e discriminações relativos aos seres humanos, incluindo o abjeto menosprezo às mulheres, são expressão da luta de classes. Numa sociedade em que a ideologia dominante é machista, homens e mulheres manifestarão machismo.”

Portanto, o crescimento geral da violência contra a mulher e a forma pernóstica como o monopólio de imprensa trata é expressão da ideologia dominante, que tenta responsabilizar as vítimas como culpadas pela própria violência sofrida. Assim como fazem contra os camponeses pobres em luta pela terra e seus dirigentes executados, reproduzindo os boletins de ocorrência na íntegra, sem questionamento, como se fez com o caso da professora assassinada.

Aplicam o monopólio da violência pelo Estado e suas forças repressivas contra o povo, vide uma sequência de abusos e execuções cometidos pela polícia e suas forças especiais como BOPE, como política terrorista de Estado e a condenação prévia das vítimas, todas invariavelmente tratadas como bandidos. Então, não se pode explicar a violência contra a mulher sem tomar esta grave situação geral.

Homenagem à professora demarca repúdio ao feminicídio

No dia 10 de fevereiro, um ato foi convocado pelos próprios estudantes da faculdade em que a professora trabalhava, onde realizaram uma importante homenagem a ela com rechaço ao seu brutal assassinato. Os estudantes, professores e demais colegas de trabalho caminharam do estacionamento até o prédio da faculdade, com velas e balões brancos, expressando grande comoção. Os seus alunos fizeram falas emocionadas e afirmaram como a professora era muito querida e respeitada por todos, inclusive, por sua defesa aos direitos das mulheres. Além disso, era conhecida por ser grande motivadora dos estudantes na continuação dos seus estudos.

O Grupo de Estudos Remís Carla – GERC participou da homenagem e distribuiu 50 manifestos “Basta já de violência contra a mulher! Despertar a fúria revolucionária da mulher como poderosa força para a revolução!”e 50 boletins de propaganda do movimento. As companheiras encontraram muito boa recepção de todos ao defenderem que a solução da violência contra mulher está na luta democrática e revolucionária por sua emancipação, e na luta de classes pela libertação do povo.

DESPERTAR A FÚRIA REVOLUCIONÁRIA DA MULHER COMO PODEROSA FORÇA PARA A REVOLUÇÃO!

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