
Por ocasião do dia 20 de novembro – Dia do Povo Preto – publicamos panfleto da Liga dos Camponeses Pobres sobre a data, assim como a biografia de Dona Catarina, liderança do Brejo dos Crioulos.
A Liga dos Camponeses Pobres saúda o dia 20 de novembro exaltando a heroicidade do líder guerreiro Zumbi dos Palmares! Saudando a história de resistência dos quilombos contra a escravidão e pela construção de uma vida livre sem exploração e opressão.
É dia de saudar e reafirmar o exemplo de luta e resistência do povo preto em nosso país que é a imagem e semelhança das classes populares no Brasil e terá sua libertação particular, enquanto grupo étnico massacrado pelo sistema de exploração imperialista, com a vitória da revolução de todo o povo oprimido, o qual os negros fazem parte e são maioria.
Em meio a ofensiva contrarrevolucionária da extrema direita latifundiária, bandos armados do “invasão zero”, acobertados pela PM e Força Nacional de Segurança, promovem ataques brutais com assassinatos de camponeses, quilombolas e indígenas por todo o país. Enquanto isso, o governo se acovarda completamente e utiliza a política de apaziguamento com o latifúndio assassino e grileiro.
Não há nenhuma punição para os latifundiários, como exemplo dos assassinatos do companheiro Cleomar Rodrigues e também do companheiro Zé Gato, na Fazenda Torta. Além disso, o governo liberou 420 bilhões para o agronegócio no plano safra 2025 e apenas 76 bilhões para a chamada agricultura familiar.
Querem nos dar migalhas para calar a nossa boca e tentar nos dividir para dançar a sua música. Mas a nossa dança é a capoeira, é o batuque, é a luta verdadeira junto daqueles que sempre estiveram ao nosso lado, contra o latifúndio e o velho Estado.
“Cai orvalho da face do escravo,
Cai orvalho da face do algoz,
Cresce, cresce seara vermelha,
Cresce, cresce vingança feroz”…
Castro Alves
Devemos seguir o exemplo dos camponeses de Barro Branco em Pernambuco, que botaram os pistoleiros do “invasão zero” para correr com o rabo entre as pernas, assim como há alguns anos no Brejo dos Crioulos. Porque foi a luta que nos deu tudo o que temos e é com ela que venceremos!
O povo preto constitui o núcleo das forças – motriz e principal – da Revolução Brasileira, como maioria na classe operária e camponesa. Sendo toda a história da sua luta pela liberdade, como um prelúdio da luta que essa enorme e poderosa massa negra que conforma a aliança operário-camponesa, quem tem desencadeado ao longo dos séculos as lutas de libertação e é quem está desencadeando as lutas para levar a Revolução de Nova Democracia até o fim. A Revolução é o único caminho para libertar toda a classe e demais massas populares e saldar definitivamente essa dívida da humanidade com o povo preto e todos os povos oprimidos de nosso país e do mundo.
A luta pela autoafirmação do povo preto e toda sua história e cultura, a luta por enfrentar o genocídio do povo preto nas grandes cidades e no campo, despertará como nunca tem sido ao longo de nossa história a fúria revolucionária organizada e invencível. Ressentimentos, desejos de vingança e fúria que há séculos vem sendo represados pela mais brutal repressão a ferro e fogo pelas classes dominantes exploradoras e opressoras. Não poucas vezes em seus levantamentos nossa luta foi desviada pela ação do oportunismo, com seus discursos adocicados de intelectuais pequeno-burgueses divisionistas, coorporativistas e racistas, atados e como parte complementar ao velho Estado burguês-latifndiário a serviço do imperialismo.
A questão racial está historicamente vinculada à questão social, em particular à questão agrária, da propriedade da terra. Terra de onde os povos indígenas foram expulsos pela invasão dos conquistadores portugueses. Terra de onde o trabalho, suor e sangue do povo preto escravizado, extraíram riquezas para reino de Portugal e para a Inglaterra.
Terra que nos 525 anos de história de nosso país foi saqueada e negada ao povo pobre, negada aos negros pela famigerada lei de terras de 1850, vigente até os dias atuais, para enfim, negar a terra a todos os camponeses pobres! Assim nos encontramos em pleno século XXI e a questão agrária no Brasil permanece inalterada.
A revolução é o único caminho para libertar toda a classe e demais massas populares e saldar definitivamente essa dívida da humanidade com o povo preto e todos os povos oprimidos de nosso país e do mundo. Convocamos camponeses, remanescentes de quilombolas e povos indígenas a lutar pela destruição do latifúndio! Tomar todas as terras do latifúndio e distribuir em parcelas aos camponeses pobres sem terra e com pouca terra, e aos quilombolas; impulsionar a produção e comercialização. Apoiar e defender a justa luta dos povos indígenas pela retomada e auto-demarcação de suas terras ancestrais. Se integrar de forma cada vez mais efetiva à Revolução agrária em curso no nosso país, sem quais quer ilusões.





