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Índia: Uma carta do camarada Kishenji para sua mãe

Reproduzimos publicação do blog Servir ao povo, com carta do camarada Kisheji para sua mãe. Um grande exemplo de decisão revolucionária e amor ao povo.

Nota do blog: Em 24 de novembro de 2011, o camarada Kishenji, Mallojula Koteswara Rao, dirigente comunista, membro do Birô Político e da Comissão Militar Central do Partido Comunista da Índia (Maoista), verteu seu sangue na luta contra o velho Estado indiano. Por ocasião dos 14 anos de sua morte em um falso encontro em Bengala Ocidental, publicamos uma tocante carta do camarada Kishenji para sua mãe, escrita antes de seu covarde e vil assassinato.

Mãe!

Você está bem?

O povo está protegendo os irmãos e irmãs da floresta em meio à repressão estatal e às operações de busca das forças de segurança. As medidas repressivas do governo aumentam à medida que os movimentos populares crescem. Você deve ter visto os estudantes em Hyderabad! Telangana ainda não foi proclamada [separada], apesar das incessantes lutas dos estudantes das Universidades de Osmania e Kakatiya, de vários partidos políticos, dos sacrifícios e suicídios da juventude ao longo de décadas. Nós apoiamos a criação de uma Telangana separada. Mas, mais do que isso, lutamos por uma Telangana democrática, uma Dandakaranya democrática e uma Lalgarh democrática. Lutamos até mesmo por um Gurkhaland independente. Toda luta persistirá até que a aspiração por um estado separado seja concretizada. Todos os partidos políticos estão pregando artimanhas na questão de Telangana. Mas, desde o início, somos nós que exigimos e lutamos por uma Telangana separada – mais ainda, por uma Telangana democrática! Para desviar o foco, há pugnas internas no Congresso e, encabeçados pelo ex-ministro-chefe de Andhra Pradesh, Rosaiah, estão distribuindo arroz gratuito por toda parte. Nada disso deterá as aspirações do povo por uma Telangana separada. Para desviar o foco, estão criando uma grande comoção ao declarar uma reserva de quatro por cento para os muçulmanos. Para sobreviver, Congresso, BJP e RDP estão todos no mesmo barco.

Desta vez, o primeiro-ministro, Manmohan Singh, e o ministro da polícia, Chidambaram, responderam positivamente à criação de uma Telangana separada, tendo em vista a feroz resistência dos estudantes das Universidades de Osmania e Kakatiya. No entanto, nenhuma tentativa é feita para cumprir a promessa. Nós apoiamos Telangana como parte da nossa luta por direitos. O governo, usando nosso apoio à causa como pretexto, quer esmagar o movimento. Assim como em Lalgarh, forças adicionais foram enviadas à Universidade de Osmania. O povo sabe quem os maoistas apoiam. É humilde dever do movimento proteger Hyderabad, a história do povo, os muçulmanos, adivasis e oprimidos das garras dos governantes. Democratizar Telangana e trabalhar por uma Índia federativa é, neste contexto, o objetivo fundamental dos maoistas.

O Estado declarou-nos guerra. O movimento está avançando com a consigna de “Terra para os oprimidos, terra para os adivasis” na ordem do dia. Tipos como Manmohan Singh, Naveen Patnaik e Chidambaram destinam milhares de acres de terra a corporações como Jindal, Posco e Tata em Odisha, Chhattisgarh e Jharkhand. Enquanto quarenta mil acres de terra estão para ser entregues às multinacionais, o povo se levanta em diversas formas de luta e disposto até mesmo a derramar seu sangue por suas terras. É com esse povo que estamos! Você deve estar ciente de que a guerra popular está ocorrendo sob a nossa direção para proteger os direitos dos adivasis.

Mãe!

Em nome de milhões de mães como você, estamos lutando contra os enganos e desilusões que assolam as regiões tribais. Nas planícies, nossas berinjelas naturais estão desaparecendo e sendo substituídas por berinjelas transgênicas Bt. Como nos opomos a isso, a Operação Caçada Verde foi lançada contra nós. O governo está enganando a mídia, dizendo que eu e alguns outros camaradas foram mortos em um confronto nos dias 25 e 26 de março. Eu e todos os outros camaradas estamos seguros. O povo está nos protegendo, de olho em nós.

Mãe!

Não chore.

Não só você. Oh! Milhões de mães da Índia!

Estamos seguros e bem. Seus filhos estão todos na grande batalha. Se a vencermos, haverá um sublime alvorecer – uma brisa fresca, um ambiente novo e grandioso, sem opressão nem repressão. Recentemente, Arundhati Roy visitou Dandakaranya, em Chhattisgarh, conheceu muitos de seus filhos da floresta e escreveu sobre eles para que o mundo exterior os conhecessem. Se você quiser saber nosso objetivo, mãe, leia o que ela escreveu.

Mãe!

Eu resisto,

Saudações Vermelhas. Saudações Vermelhas,

Eu resisto. Escreverei sempre que puder.

Seu filho,

Koti, em nome de Venu, Maina, Raji Reddy e milhares de filhos.

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