Biografias Geral

27 de julho: Natalício da heroina internacionalista Elise Sabo

Honra e glória eternas à grande heroína internacionalista Elisabeth Saborovsky (Elise Sabo)!

A alemã internacionalista Elise Sabo (como ficou conhecida Saborosvky) foi uma destacada comunista, que trabalhou sob a direção da Terceira Internacional – a Internacional Comunista fundada por Lênin em 1919 – atuando inclusive no Brasil onde cumpriu importante papel durante o glorioso Levante Popular Armado de 1935. Elise foi camarada de armas da também alemã, a comunista Olga Benário e foi companheira de Arthur Ewert, herói do proletariado internacional e quadro comunista dirigente da Comintern (sigla em inglês para IC – Internacional Comunista).

Ao lado de quadros como Hilde Coppi, Liselotte Hermann, Käthe Leichter, Olga e Artur Ewert, Elise Sabo para sempre será lembrada pelo povo alemão e revolucionários, antifascistas e verdadeiros democratas no mundo inteiro como heroína internacional.

Sabo defendeu a tomada do poder pelo proletariado, através da violência revolucionária e durante a II Guerra Mundial Imperialista, defendeu e entregou sua vida na luta antifascista em defesa da Revolução Proletária Mundial. Como marxista convicta e honrada sustentou até o último suspiro, sua decisão, resistindo as torturas e sevícias a que foi submetida nas prisões no Brasil e na Alemanha. Junto com Olga Benário, foi deportada pelo governo de Getúlio Vargas para uma prisão na Alemanha hitlerista e posteriormente foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg vindo a morrer em 1940 aos 32 anos enquanto realizava trabalhos forçados no campo de Ravensbruck.

A vida e a forja em meio à duas Grandes Guerras Imperialistas

Descendente de judeus poloneses, Sabo nasceu na cidade alemã de Hanôver, em 27 de julho de 1907. Aos 4 anos de idade, mudou-se com seus pais para o Império Austro-húngaro. Em 1914, com o início da I Guerra Mundial imperialista, seus pais foram para a Bélgica, que naquele momento estava fora do conflito armado. Mas, com os ataques do Império Otomano à Bélgica, sua família teve que se mudar novamente, desta vez para a Holanda. Em 1918, após o fim da I Grande Guerra, a pequena Sabo, com 11 anos de idade, voltou para seu país natal, onde teve então os primeiros contatos com movimentos políticos antiguerra e, mais diretamente, com o movimento comunista no país. Assim foi que, em 1925, com apenas 18 anos de idade, ela mudou-se da casa de sua família, indo para a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS onde aprofundou seus conhecimentos sobre o marxismo e encarnou a ideologia do proletariado internacional, se dispondo ao trabalho árduo e perigoso da Comintern.

Atuando ainda por pouco tempo pela IC, Sabo foi enviada para uma missão em Portugal, onde conheceu seu companheiro afetivo e camarada de armas, Arthur Ernest Ewert, com quem se casou. Após um curto período, ela foi designada para outras missões em diferentes países, dentre eles Bélgica, Polônia, Noruega, Itália, Iugoslávia, República Tcheca, Alemanha e Prússia Oriental. Quando Sabo retornou à União Soviética, em 1928, ela conheceu a camarada Olga Benário. E sete anos depois, em 1935, foram juntas designadas pela Comintern para sua missão mais difícil: atuar junto ao Partido Comunista do Brasil, num audacioso plano estratégico de avançar na luta revolucionária no país para tomada do poder, num país semicolonial e semifeudal, dominado pelo imperialismo ianque, num ambiente de crescimento do fascismo e nos anos que precederam a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Nesta época, o combate ao fascismo se tornou uma urgência. Sob a justa direção do camarada Stalin, o VII Congresso da IC em 1935 deu acertadas respostas na formulação da Frente Única Antifascista e luta por sua aplicação em cada país, bem como seu grande manejo ao nível mundial, onde os comunistas lutaram para tentar impedir a guerra mundial e se levantaram em armas quando ela já era inevitável.

Situação política no Brasil e o Levante Popular de 1935

A década de 20 no Brasil foi de grande efervescência política com graves acontecimentos que sacudiram o país e agudizaram a crise política. No campo democrático, o fator mais importante foi sem dúvida a fundação do Partido Comunista do Brasil em 1922. Inicialmente adotou o nome de Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista, sua fundação foi marcada pelo heroísmo e internacionalismo proletário apesar da baixa compreensão e assimilação do marxismo. Na década de 30, resultante do maior intercâmbio da direção do Partido Comunista do Brasil com o Birô Sul-Americano da Comintern, teve novo desenvolvimento, o que representou um salto para a Revolução brasileira por expressar a compreensão e integração da ideologia do proletariado internacional e a realidade concreta do país, seus problemas e especificidades. Por influência dos quadros da IC, o Partido Comunista abandona a errônea tese de “revolução democrática pequeno-burguesa” de Otávio Brandão, que se apoiava em que a principal contradição do País era entre “industrialismo x agrarismo”, e define a natureza da sociedade brasileira contemporânea como semicolonial e semifeudal, e sua revolução como democrática, agrária antifeudal e anti-imperialista, ainda que mantendo certa transposição mecanicista da experiência internacional à realidade brasileira.

Em 1929, Getúlio Vargas cria o Movimento Liberal e representando a fração burocrática da grande burguesia, em 1930 assume o poder do velho Estado brasileiro através de um golpe militar, se valendo do prestígio do movimento tenentista dos anos anteriores enquanto traía as aspirações democráticas do mesmo.

Em 1935, o Partido Comunista do Brasil após apenas 13 anos de sua fundação e várias lutas de duas linhas nos primeiros anos de sua existência, formulou objetivamente, pela primeira vez na história do proletariado brasileiro, um programa revolucionário e a proposição do caminho para a conquista do Poder por meio da luta armada, contra o fascismo, a burguesia, o latifúndio e o imperialismo.

Aplicando a política de Frente Única, seguindo os conselhos da IC, o Partido Comunista sob a lendária direção de Luiz Carlos Prestes, constituiu em 1934 a Aliança Nacional Libertadora (ANL) que defendia abertamente a necessidade de uma transformação revolucionária no país e a derrubada do governo de Vargas. A ANL, levantou as consignas de “Pão, terra e liberdade” e gozou de grande prestígio entre as massas, contando com milhares de filiados por todo o país.

A preparação do Levante Popular de 35 foi precedida de grande propaganda revolucionária com a mobilização e organização de milhares de operários e massas populares em comitês, não só nas capitais do país, também em muitas cidades interioranas, em torno da palavra de ordem de “Todo o Poder à ANL!”. Grandes comícios foram realizados, o Partido distribuía jornais e panfletos em inúmeros setores da sociedade, pichações e ações contra o fascismo, tal como o histórico episódio da “revoada dos galinhas verdes” no centro da cidade de São Paulo, com que os aliancistas dirigidos pelo Partido Comunista escorraçaram as forças integralistas de Plínio Salgado.

Com o banimento e ilegalidade da ANL por Getúlio Vargas, se deu precipitadamente a tomada do palácio de governo de Natal. Foram quatro dias de sublevações armadas e batalhas antifascistas, com os comunistas à frente, que despertaram a esperança e o entusiasmo das grandes massas exploradas e oprimidas de nosso país. Em Natal, onde o Levante foi mais a frente tomando o principal quartel e angariando forte apoio das massas, erigiu-se o primeiro governo popular nacional revolucionário dirigido pelo proletariado no País. Foram batalhas heroicas que representam o marco inicial da luta armada dirigida pelo Partido Comunista no caminho do proletariado brasileiro ao Poder. O Levante foi derrotado por erros de subjetivismo e problemas na aplicação das teses da Internacional, particularmente sobre a questão camponesa. Representou uma tentativa que se aproximou muito da acertada linha revolucionária, porém, o Partido carecia ainda de certa maturidade política necessária para dirigir a grande revolução que estava em marcha

Com a derrota do Levante uma forte onda repressora cai sobre os comunistas e Getúlio Vargas ordena a repressão mais brutal, com execuções sumárias e adoção de medidas de terror de Estado. O governo promove terríveis perseguições às organizações do Partido que teve quase todos os seus comitês regionais destruídos pela brutalidade visceral anticomunista.

Contudo, devemos assinalar que a decisão pela luta armada dos comunistas e revolucionários aliancistas marcavam o justo anseio das massas populares por realizar a revolução democrática e a audácia do jovem Partido Comunista em dirigi-la, com o apoio de grandes quadros da Internacional. A audácia dos comunistas no Brasil, assim como o heroísmo do Movimento Comunista Internacional na Guerra Antifascista, foram profundamente reconhecidos pelo proletariado e massas de nosso País. Ao final da Segunda Guerra, o Partido e seu Secretário Geral à época, Luís Carlos Prestes, angariaram enorme prestígio e reconhecimento.

Prisão, tortura e deportação para a Alemanha nazista

Após o Levante, a caçada por Prestes e pelos dirigentes comunistas mais importantes se intensifica e o cerco da repressão se fecha. Serviços de inteligência estrangeiros como o serviço britânico, a Gestapo, etc colaboram para a captura, que se deu em diferentes circunstancias, de Prestes, Olga, Arthur Ewert e Elise Sabo.

Arthur Ewert e Sabo foram barbaramente torturados pelo facínora criminoso o policial Filinto Müller. Há relatos de que Sabo teve os seios decepados e sofreu inúmeros estupros como agravante de toda bestialidade que enfrentou e venceu com dignidade exemplar, sem nada entregar aos inimigos, nenhuma informação. A notícia estampou todos os jornais brasileiros, e depois de protestos do povo contra os maus-tratos impostos a estrangeiros, o bandido Müller retirou Ewert da prisão e começou a torturá-lo ferozmente novamente, em segredo, e isto resultou na perda da sanidade mental de Ewert. Ou seja, os vermes reacionários torturadores cumpriram um ritual doentio e macabro para desafogar suas raivas diante da altivez comunista.

A mando da embaixada alemã, Getúlio Vargas deporta Elise Sabo e Olga Benário para a Alemanha Nazista. Elas foram deportadas no navio cargueiro La Coruña, em setembro de 1936, quando Olga estava grávida de 7 meses. Às 6 horas do dia18 de outubro do mesmo ano, o navio atracou no porto de Hamburgo. Para evitar os protestos, oficiais da Gestapo, a brutal polícia secreta alemã, já esperavam pelas duas. De lá, Olga foi levada para a prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim enquanto Sabo foi para um centro de detenção de comunistas em Lübeck. Mesmo após o sofrimento terrível no Brasil, Sabo foi ainda mais torturada em Lübeck. Um tempo depois, Sabo foi transferida para uma prisão em Colônia.

Em março de 1938, Sabo foi transferida, junto com Olga para o campo de concentração de Lichtenburg. A princípio Sabo recebia comida, mas por ordem de Hitler, os prisioneiros de campos de concentração não deveriam mais ser alimentados. Em 1939, com o começo da II Guerra Mundial imperialista, Sabo e Olga foram transferidas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck. Sabo chegou ao campo tuberculosa e com seu corpo em pele e ossos, mas, mesmo assim, foi forçada a trabalhar. Em 9 de fevereiro de 1940, devido aos maus tratos, a fome e tuberculose a que foi submetida no campo, Sabo não resistiu e faleceu, com apenas 32 anos de idade.

A vitória dos comunistas na II Guerra Mundial contra a besta nazi-fascista

O sacrifício de Elise Sabo e tantas outras e outros comunistas, revolucionários e democratas mundo afora regou e encorajou a vitória dos povos no mundo inteiro contra a besta-fera nazifascista. Sob a firme direção do Grande Camarada Stálin, que soube unir os aliados e os povos e revolucionários no mundo inteiro, o Exército Vermelho e os revolucionários empreenderam façanhas extraordinárias e impuseram uma derrota fragorosa à Alemanha nazista e seu führer Hitler, com a vitória sob o eixo, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. Particularmente o povo soviético pagou um preço muito alto e contabilizou mais de 20 milhões de pessoas que verteram heroicamente seu sangue pela causa socialista, em defesa da URSS e sob a consigna de “Pela pátria, por Stalin!” sustentando a Grande Guerra Pátria, como ficou conhecida no país.

O sangue derramado desses heróis e heroínas, inclusive muitos anônimos, será lembrado e homenageado eternamente e não somente no dia 09 de maio (Dia da Vitória). Os sobreviventes desta grande resistência e os heróis que verteram seu generoso sangue são responsáveis por uma página da história da humanidade sem precedentes na luta contra a opressão e pela liberdade!

Companheira Elise Sabo: Presente na luta!

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *